quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O que aconteceu à resolução de 2015? Green Acres


Uma coisa é certa: esta resolução foi um sucesso e mudou para sempre a nossa maneira de estar e de ver as coisas! Agora que parece estar a haver uma maior consciência para esta problemática do lixo - até o Papa está preocupado com estas questões - e têm surgido mais rumores neste assunto, é altura de falar do ponto de situação do nosso lado, que está até um pouco atrasado.

Alimentação
- o leite que compramos agora vem em garrafas de vidro
(ligeiramente mais caro, mas mais amigo do ambiente)
- comprámos palhinhas de metal e em casa não usamos descartáveis
(receei que não, mas os miúdos até gostam delas)
- mandámos vir cotonetes de madeira em vez de plástico
- levamos os nossos sacos de plástico para as compras (sacos de fruta e legumes)
- horta: diminuímos a área de produção inicial por não termos tanto tempo como queríamos
- das galinhas: comem restos dos legumes da escola da Peninha
- aumentámos o uso de frascos de vidro na cozinha
- comprei um copo retrátil que tenho na mala

Limpeza
- para além do vinagre, ralo sabão azul e branco com um ralador normal de cozinha, junto água e uso para o chão e fica muito bom
- usamos bicarbonato de sódio como complemento ao vinagre em algumas situações
- continuo a fazer cremes / amaciador / shampoo e como gel de duche e gel de mãos ralo sabonete e junto água

Fora de casa
- no escritório já não se encomendam copos de plástico, todos utilizam copos de vidro
- fazemos doação de brinquedos e roupa

Projetos abandonados
- cápsulas reutilizáveis e café de saco: o café não ficava a nosso gosto e por isso tomamos café fora de casa e assim acabamos por ajudar o comércio local.
- escova de dentes de bambu: os dentes não ficavam lavados em condições e acabámos por abandonar
- navalha de barbear: não sei muito acerca disto, mas não tem estado a uso

Para já, é isto!

Resolução 2016

Como a resolução de 2015 foi uma revelação, uma epifania, o que se quiser chamar na nossa vida, decidi fazer uma resolução em 2016. Como não a comentei ainda por aqui, só pode querer dizer que não foi um sucesso... E não foi! Este ano queria tornar o ano do regresso à atividade física e ao desporto. Afinal a Peninha já não me tira tanto tempo que não o consiga fazer!... Houve a compra de um barquinho à vela, houve aulas de ginásio, mas na verdade está muito aquém da regularidade que faia parte da minha resolução.

Em jeito de balanço do 3º Trimestre de 2016, tenho a dizer que possivelmente será uma resolução a repetir em 2017...

Biblioteca

As bibliotecas são lugares de partilha de saber e cultura. Não é à toa que continuam a existir e a custar larga fatia do orçamento camarário, sem retorno visível de maior.

Mas só pelo título, a maior parte das pessoas nem leria este post: só o nome cheira a muitos livros juntos, funcionárias que pedem silêncio e falam baixinho. Há uns tempos atrás confesso que faria o mesmo, embora a biblioteca faça parte das minhas memórias felizes de infância - tive o privilégio de ser vizinha da biblioteca municipal da minha cidade, que abriu no ano em que fui para a escola primária e por isso era novinha e estava na moda. Passava lá muito tempo a devorar livros e gostava mesmo muito de lá ir, para ler ou para ir ver filmes. Julgo que gostar de ler se deve em grande parte a isso. Mas hoje em dia os pais passam a responsabilidade de ir à Biblioteca com os filhos para a escola e é algo démodé, porque está tudo na internet - até os livros.

Esta era a maneira como estava organizada na minha cabeça o conceito de Biblioteca. No entanto, por um destes dias a ler um artigo num blog sobre minimalismo ou ecologia (não sei qual a temática, nem qual o blog!) tropecei num post raro: embora seja considerado um bom blog, cheio de visitantes e seguidores, os comentários daquele post eram mais interessantes do que o post em si.

O post falava no descontentamento de os cartões de sócio das bibliotecas serem em regra de plástico e, por isso, a autora estava desiludida com a biblioteca e não frequentava a mesma. Eis então que surgem os comentários: "as bibliotecas são dos poucos locais públicos do nosso tempo em que ninguém nos pede nada, não somos incitados a comprar nada nem a consumir nada", "na biblioteca da minha terra até podem ser requisitados ebooks", "na biblioteca a cultura e o saber são grátis e estão disponíveis para qualquer um, sem distinção".

Foi isto tudo que perdemos! Obviamente que me organizei para ir conhecer a biblioteca da terra onde trabalho e onde a Peninha anda na escola. Aproveitei um dia de fim-de-semana de muito calor em que estávamos apenas as duas e lá fomos àquele edifício moderno e elegante. Fiquei maravilhada: imagine-se uma sala de leitura infantil que tem livros para colorir, jogos tradicionais, consolas de videojogos, filmes, almofadas, brinquedos e livros para ler. E isto tudo com muita cor e espaço para disfrutar. Escusado será dizer que nesse dia não tive hipótese de ir conhecer o resto da biblioteca e que foi difícil arrancar a Peninha de lá.

Voltei lá outro dia para conhecer as salas dos "crescidos" e a satisfação não foi menor que da primeira visita: livros que eu tive na mão nas livrarias, mas que devido ao preço não adquiri. Adorei a sensação de lá voltar a estar! Quero regressar muitas vezes!

Férias solidárias

Gostamos de viajar. A 2, a 3 e a 5 e mais. Mas a verdade é que temos feito viagens muito giras a 2 e a Peninha ainda não está propriamente na fase de poder ir conhecer capitais europeias de forma descomplicada para nós. Não temos muitas férias, o orçamento também tem uma gestão difícil, mas sempre que podemos lá vamos nós!

Houve uma viagem que nos marcou muito - um país da América do Sul. Conhecemos partes da Europa, sítio a que estamos acostumados em todos os aspetos, conhecemos de forma ligeira uma parte do Norte de África, mas não sei o que falhou nesta viagem: todos nos diziam que era espetacular e lindo e eu cheguei lá e só vi miséria. Era um misto de querer ver tudo e de querer vir embora no avião seguinte!...

Quando aterrámos na linda e maravilhosa Europa, começámos a programar as próximas férias fora do velho continente. E a primeira coisa que decidimos foi que queríamos mais do que ir ver, ir ajudar! Descobrimos a Aventura Solidária da AMI, mas esta coloque alguns entraves ao nosso estilo de vida, nomeadamente as datas serem estipuladas pela organização. Entretanto já temos outra associação que também promove o tipo de voluntariado que pretendemos e por isso estamos a tratar de tudo para um dia se realizar.

Empreita

Como andam por estes dias as minhas lides da empreita?

Palma natural: o meu padrinho, algarvio de gema e filho de mãe que fazia empreita, quando eu lhe disse que fazia empreita disse que ia apanhar palma para mim. Ouviram-se logo as vozes femininas "não acredites nisso? ele?" blá, blá, blá. Mas não é que no outro dia tinha três lindos molhes de palma pronta a usar oferecidos por ele? Foi só humedecer! De todas as prendas que os meus padrinhos me deram nestes anos da vida (nunca sabiam o que haviam de dar, mas sempre me deram coisas que ainda hoje tenho! Ou recordo com gosto), esta foi sem dúvida muito especial. É diferente de trabalhar da palma enxofrada, obviamente, mas gostei muito.

Coser a empreita: é vergonhoso... mas digo-o aqui - consegui coser 3 cestas de palma ao contrário. Irra! Desmontei uma e fiz porta-chaves da trança, porque obviamente estava danificada. Desmanchei outra e fiz um abanador e depois do debrum ficou bonitinho na parte danificada. Tenho outra para desmanchar. Mas pus na cabeça que tinha de saber coser. Para quê fazer trança de empreita se depois não fizesse o produto final? E assim, num Domingo, comecei a coser e arranjei a mnemónica para não voltar a errar. Porque infelizmente só no final eu noto que está mal cosido, quando vou fazer o debrum (embora agora acho que já consigo ver a diferença). Aconteceu logo na primeira cesta que cosi. Mas agora acho que já ultrapassei isto!

Apanha de palma: fui com o meu pai e algumas das mais pequenas da família apanhar palma. Fiquei um bocado estupefacta quando as meninas disseram que queriam ir, uma vez que elas nem sabiam o que era - só sabiam que era no campo. Afastámo-nos um bocado da aldeia onde os meus pais moram a lá tinha umas lindas palmeiras anãs. E depois o meu pai fez as lides de uma forma tão própria dele!
Lá viemos os 4 carregadinhos de palma, que ficou a secar em casa dos meus pais. Este inverno não devo precisar de comprar palma, com a que tenho ainda e com mais este carregamento.

Em suma, a prática faz de facto a diferença e já faço uma baracinha bonita e forte, já coso melhor e os remates estão no bom caminho!

Bimby: ter ou não ter?

Agora vou tocar em egos...
Porque a uns foi o melhor que já lhes aconteceu, não vivem sem ela, vale cada euro, dá-lhes muitas alegrias, facilita o dia-a-dia, fizeram coisas que não fariam se não a tivessem,...
Porque a outros não conseguem ver que mais-valias traria, gostam é da colher de pau e do tacho, acham exorbitante o preço, viveram sem ela até hoje e não morreram por não a ter, safam-se perfeitamente sem ela,...

Confesso que eu pertenço ao primeiro grupo em muitas das coisas que disse acima, pelas mais variadas razões. Mas acontece que no trabalho, uma parte de nós tem e a outra não tem e a conversa casual mistura-se entre o "ontem fiz isto assim assado" e gostei ou não gostei, correu mal ou correu bem, vou repetir ou nunca mais faço.

Ao longo do tempo, após muitas conversas destas e de utilizarmos a bimby até para triturar sabonetes (desculpa Vorwerk!)... confesso que ao princípio não pensava muito na questão de a ter ou não. Aliás, esta questão é geralmente apresentada por quem a não tem e quem a tem tenta persuadir a que os outros tenham. Mas a verdade é que: a máquina é espetacular. Mas é como uma máquina de café de cápsulas: quanto mais não valia ter uma no hall do prédio e encontrar os vizinhos? Ou é como uma máquina de lavar roupa: os americanos têm uma por prédio, porque é que nós temos de ter uma por cada casa? No que nos tornámos!  

O assunto tem-me andado a corroer e no outro dia dei por mim a pensar em vender a minha bimby. Não o vou fazer, por variadíssimas razões, mas a razão é simples e repito: a máquina é espetacular, mas não é mais do que um bom triturador que aquece, coze a vapor e pesa. E um bom triturador fará muito do que a bimby faz, tendo de ser as funções acima complementadas. Mas é só isso. Porque o que faz ali diferença (eu sei que o que eu vou dizer não é descobrir a pólvora...) é a maneira simples e estruturada de apresentar a maneira de fazer.

Gosto muito do livro "A cozinheira das cozinheiras", de Rosa Maria. Um clássico, um Pantagruel condensado, um livro de bolso que desde que o conheci não dispenso ter na cozinha porque é como se a minha mãe estivesse ali dentro para me dar respostas culinárias a tudo e mais alguma coisa. Mas... a Rosa Maria (nada contra a senhora, antes pelo contrário), mulher do seu tempo e não mulher do marketing culinário moderno, faltam-lhe estar escarrapachados no livro algumas coisas elementares que no antigamente todas sabiam (ponto de blábláblá, que tenho logo de ir a correr ao Google e acabo a ler coisas diferentes do Brasil e de Portugal...). E na bimby? Na bimby está lá tudo - é à prova de tótó. Primeiro os ingredientes - se tem todos continua, senão procura receita parecida com os que tem; depois os passos devidamente separados e bem escritos, sem aso a erros de velocidade, duração ou temperatura.

Lá em casa eu não cozinho em regra - é o PenaMan quem o faz. Eu só brinco na bimby e aproveito e faço coisas por capricho. E ele não usa a bimby. E eu se hoje fosse comprar uma bimby? Comprava um bom triturador e uma boa batedeira!

Carteira de Patchwork

O não gostar de comprar coisas faz com que não esteja habituada a gastar dinheiro em comprar coisas e que tente sempre que as coisas sejam duradouras. Tento também que sejam locais e que tenham alguma história. Por vezes gostava até de fazê-las, mas não consigo fazer tudo o que quero.

A carteira de patchwork foi uma dessas odisseias.

Primeiro mandei vir uma carteira do OLX. Preço acessível, bem feita e relativamente local. O problema foi quando ela se começou a estragar. Nada de especial, a patilha do fecho partiu-se, mas pensei que estava na altura de a trocar antes de estar mesmo estragada e eu não ter outra. Parecia simples: fui ao OLX procurar... mas não encontrei nada semelhante. Entretanto punha-se a hipótese de mandar vir uma carteira da China a preço.. da China. Nem pensar.

Começaram as feiras locais por aqui e assim que vi uma artesã de patchwork, lá fui eu de carteira na mão perguntar se fazia. Não perguntei o valor, nem quanto tempo demoraria até estar pronta: isso não estava em questão. Para meu espanto, a primeira artesã disse-me que não, que aquilo não fazia. Enfim, não ia desistir à primeira. Mas a segunda, a terceira, ... todas me disseram que não. Fiquei para morrer! Será que nunca ia encontrar? A dita carteira parecia ser uma coisa simples! Mas a minha pouca prática em coisas pequenas na máquina de costura era um entrave, a falta de tempo de momento outro, e queria algo bom e bonito.

Até que finalmente encontrei. Resultado: depois da minha carteira estar pronta, houve logo quem quisesse uma do género, pedida à mesma artesã. Para mim, é assim que se dinamiza o artesanato e o comércio local.